‘Visitante’ no Pacaembu, Timão encara um desesperado Palmeiras

‘Visitante’ no Pacaembu, Timão encara um desesperado Palmeiras


A ameaça de rebaixamento jogou o Palmeiras à beira do caos, resultando na demissão de Luiz Felipe Scolari e pressionando toda a diretoria, poucos meses antes das eleições presidenciais. Para o Corinthians, publicamente, pouco importa a situação do rival, já que Tite tenta colocar seu time em uma situação ainda mais tranquila. É neste cenário de crise alviverde e conforto alvinegro que os dois se enfrentam neste domingo, às 16 horas (de Brasília), no estádio do Pacaembu.

Válido pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Derby é de mando do Verdão, que terá maioria nas arquibancadas, mas isso não alivia a forte pressão sobre o elenco que será dirigido interinamente por Narciso – técnico campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Corinthians em janeiro e que comanda o time sub-20 do Palmeiras desde julho.

Mais do que a saída do técnico que há dois meses foi campeão da Copa do Brasil, a maior prova da alarmante situação palmeirense está na tabela. O time começou a rodada em penúltimo lugar, a sete pontos do primeiro clube fora da zona de rebaixamento. Para evitar a segunda participação na Série B do Brasileiro em sua história, a caminhada é complicada e tem a falta de confiança como um dos principais obstáculos.

Na busca até por motivação, enquanto a diretoria não acerta a contratação de um novo treinador, cabe a Narciso estrear como técnico de um time profissional logo em um clássico. “É difícil pela situação em que o time está e a rodada da competição. Mas, pelos jogadores que temos, há muita qualidade. Falta só colocar em prática, corresponder taticamente. Aí, com certeza, será provado que o Palmeiras tem um time muito bom, que não deixa a desejar a nenhuma equipe que briga pela liderança”, apostou o treinador.

O ex-zagueiro só pôde trabalhar com o elenco principal a partir de sexta-feira, mas o grupo encarou dois dias de concentração, com mais tempo para Narciso fazer o que tem condições: mudar a cabeça dos atletas, em intenso trabalho psicológico. “Tem que existir uma conversa entre o treinador e os atletas. Precisamos de posicionamento tático para quem está atuando melhor. Não posso colocar meu jeito em dois dias de trabalho. Por isso, quanto mais diálogo, melhor para a equipe.”

A boa notícia no clube é a volta de Marcos Assunção. O volante admite jogar no sacrifício, já que, no fim de agosto, passou por operação no joelho direito. “Taticamente, muda pouca coisa, mas ganhamos uma homem de bola parada muito boa, isso causa preocupação nos adversários e nos dá uma confiança a mais”, comemorou Narciso.

Além de Wesley e Fernandinho, que seguem em recuperação de cirurgias, um desfalque inesperado é Thiago Heleno – o zagueiro levou pancada no pé direito na sexta-feira e foi vetado pelos médicos. Dessa forma, com base no que Narciso permitiu ser acompanhado pela imprensa em seus trabalhos, Henrique volta à zaga.

A dúvida é se Correa será improvisado na lateral direita, abrindo espaço para um meio-campo mais ofensivo com a entrada do meia Tiago Real ao lado de Valdivia, ou Artur assume a lateral direita e Correa forma uma trinca de volantes com Marcos Assunção e João Vitor. No ataque, embora Obina tenha sido testado, Luan deve continuar como colega de Barcos no setor.

Independentemente da escalação, a turbulência no rival não ilude o Corinthians a encontrar vida fácil no gramado do Pacaembu. A diretoria alvinegra e a comissão técnica ainda não consideram o clube totalmente livre de risco e estipularam 42 pontos como a meta a ser atingida. Como ainda tem 32, o Timão precisa manter a concentração para, depois, pensar mais sossegado no Mundial de Clubes.

“Todos aqui sabem da importância deste jogo. Nossa caminhada na competição só vai entrar na zona de confiança quando atingirmos 40 ou 42 pontos”, alertou o treinador, sem pensar em complicar o rival. “Seria muito pequeno pensar assim. O clássico tem a grandeza pela sua história, é o maior de São Paulo”.

A ideia de Tite foi repetida durante a semana pela cúpula alvinegra, como o diretor adjunto de futebol, Duílio Monteiro Alves, e até o vice-presidente Luis Paulo Rosenberg, que, geralmente, ironiza os rivais, mas, desta vez, preferiu o respeito. Quem foge do discurso politicamente correto é Jorge Henrique, que fica mais uma vez no banco de reservas, pois está recuperando o ritmo depois de lesão na coxa direita.

“Tem um gosto especial dificultar a situação deles, sim. Não vou mentir. A rivalidade entre as duas equipes é grande e vamos fazer de tudo para que eles fiquem um pouco mais na zona do rebaixamento”, alfinetou o atleta, que já se envolveu em polêmicas com palmeirenses.

Tite não queria poupar titulares, mas terá desfalques. O técnico até escapou de suspensão por sua expulsão diante do Atlético-MG, mas o cartão vermelho recebido por Emerson Sheik naquela partida resultou em gancho de seis jogos para o atacante. O Timão entrou com pedido de efeito suspensivo e conseguiu diminuir a pena para dois confrontos, mas o recurso não foi suficiente para livrar o atleta para o clássico. Desta forma, Martínez está escalado no ataque.

O zagueiro Chicão também não poderá entrar em campo, já que passou por cirurgia de hérnia inguinal e fica fora por um mês. Além disso, Alessandro recebeu o terceiro cartão amarelo na rodada passada e cumpre suspensão automática

Na escalação, o técnico colocará Guilherme Andrade na lateral direita e Wallace na zaga, apostando em Martínez na dupla com Romarinho, autor dos dois gols da vitória dos reservas no Derby do primeiro turno. A boa notícia é o retorno de Paulinho, que está recuperado de uma lesão na coxa direita, sofrida no amistoso da Seleção Brasileira contra a África do Sul. Já Guerrero e Ramirez retornaram do Peru lesionados e não ficam como opções.

Reportagem: Gazeta Esportiva


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